Setembro AmarElo


"Amar é um elo entre o azul e o amarelo"

A música "AmarElo", de Emicida, e a campanha do Setembro Amarelo* se conectam profundamente ao abordarem a saúde mental, a prevenção ao suicídio e a importância da esperança e da escuta coletiva.

Presentemente eu posso meConsiderar um sujeito de sortePorque apesar de muito moçoMe sinto são, e salvo, e forte
E tenho comigo pensadoDeus é brasileiro e anda do meu ladoE assim já não posso sofrerNo ano passado
Tenho sangrado demaisTenho chorado pra cachorroAno passado eu morriMas esse ano eu não morro
Tenho sangrado demaisTenho chorado pra cachorroAno passado eu morriMas esse ano eu não morro
Ano passado eu morriMas esse ano eu não morroAno passado eu morriMas esse ano eu não morro
Eu sonho mais alto que dronesCombustível do meu tipo? A fomePra arregaçar como um ciclone (Entendeu?)Pra que amanhã não seja só um ontemCom um novo nome
O abutre rondaAnsioso pela queda (Sem sorte)Findo mágoa, manoSou mais que essa merda (Bem mais)Corpo, mente, alma, um, tipo AyurvedaEstilo água, eu corro no meio das pedra
Na trama tudo os drama turvoEu sou um dramaturgoConclama a se afastar da lamaEnquanto inflama o mundo
Sem melodrama, busco granaIsso é Hosana em cursoCapulanas, catanasBuscar nirvana é o recurso
É um mundo cãoPra nóiz perder não é opção, certo?De onde o vento faz a curvaBrota o papo reto
'Num deixo quietoNão tem como deixar quietoA meta é deixar sem chão quemRiu de nóiz sem teto (Vai!)
Tenho sangrado demaisTenho chorado pra cachorro(Eu preciso cuidar de mim)Ano passado eu morriMas esse ano eu não morro(Esse ano eu não morro)
Tenho sangrado demais (Demais)Tenho chorado pra cachorroAno passado eu morriMas esse ano eu não morro(Belchior tinha razão)
Ano passado eu morri (Hey!)Mas esse ano eu não morro
Figurinha premiada, brilho no escuroDesde a quebrada, avulsoDe gorro alto do morro e os camarada tudoDe peça no forro e os piores impulsos
Só eu e Deus sabeO que é 'num ter nada, ser expulsoPonho linhas no mundoMas já quis pôr no pulso
Sem o torro, nossa vida não valeA de um cachorro tristeHoje cedo não era um hitEra um pedido de socorro
Mano, rancor é igual tumor, envenena raizOnde a platéia só deseja ser felizCom uma presença aéreaOnde a última tendência é depressãoCom aparência de férias
Vovó diz, odiar o diabo é mó boi (Mó boi)Difícil é viver no inferno, e vem à tonaQue o mesmo império canalha que não te leva a sérioInterfere pra te levar à lonaRevide!
Tenho sangrado demaisTenho chorado pra cachorroAno passado eu morriMas esse ano eu não morro
Tenho sangrado demaisTenho chorado pra cachorroAno passado eu morriMas esse ano eu não morro
Ano passado eu morri (Vai)Mas esse ano eu não morro
Permita que eu fale, e não as minhas cicatrizesElas são coadjuvantes, não, melhor, figurantesQue nem devia tá aquiPermita que eu fale, e não as minhas cicatrizesTanta dor rouba nossa voz, sabe o que resta de nós?Alvos passeando por aí
Permita que eu fale, não as minhas cicatrizesSe isso é sobre vivência, me resumir à sobrevivênciaÉ roubar um pouco de bom que vivi
Por fim, permita que eu fale, não as minhas cicatrizesAchar que essas mazelas me definem é o pior dos crimesÉ dar o troféu pro nosso algoz e fazer nóiz sumir
Tenho sangrado demais (Falei!)Tenho chorado pra cachorro(Belo é o sol que invade a cela)Ano passado eu morriMas esse ano eu não morro(Liberdade, irmão!)
Tenho sangrado demais (Demais)Tenho chorado pra cachorro(Mais importante que nunca)Ano passado eu morri (Mas e aí?)Mas esse ano eu não morro
Tenho sangrado demaisTenho chorado pra cachorro(Tenho chorado demais)(A rua é nóiz)Ano passado eu morri (E aí?)Mas esse ano eu não morro
Tenho sangrado demais (Demais)Tenho chorado pra cachorroAno passado eu morriMas esse ano eu não morro
Aí, maloqueiro! Aí, maloqueira!Levanta essa cabeçaEnxuga essas lágrimas, certo? (Você memo')Respira fundo e volta pro ringue (Vai)
Cê vai sair dessa prisãoCê vai atrás desse diplomaCom a fúria da beleza do sol, entendeu?Faz isso por nóizFaz essa por nóiz (Vai)Te vejo no pódio
Ano passado eu morriMas esse ano eu não morro
Fonte: Musixmatch
Compositores: Antonio Carlos Belchior / Leandro Roque De Oliveira / Felipe Adorno Vassao / Eduardo Dos Santos Balbino

Lançada em 2019, a música traz em seu refrão um dos versos mais emblemáticos da MPB, de Belchior: “tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro”. Emicida ressignifica essa dor e, junto de Majur e Pabllo Vittar, transforma o lamento em um grito de resistência e de amor. AmarElo é mais do que uma canção: é um manifesto poético que fala sobre atravessar os momentos mais sombrios e encontrar forças para seguir.

Em sua letra, o rapper expõe fragilidades, mas também aponta para a luz — lembrando que, mesmo em meio às dificuldades, ainda é possível resistir e construir novos caminhos. Esse equilíbrio entre vulnerabilidade e esperança conecta diretamente a canção à mensagem do Setembro Amarelo: falar sobre dor é essencial, mas também é preciso lembrar que pedir ajuda e se apoiar em outras pessoas podem salvar suas vidas.


Ao escolher o amarelo como símbolo de sua música, Emicida dá uma nova camada de sentido à cor que já representa a campanha da saúde mental. No lugar da escuridão, ele oferece cor, brilho e afeto, transformando a dor em força coletiva. Assim como o Setembro Amarelo convida ao diálogo e à empatia, a canção AmarElo mostra que a música pode ser um abraço e um lembrete: ninguém precisa enfrentar suas batalhas sozinho.


Empatia Salva vidas

Referência da obra literária de Bell hooks






"Inspirada pelos escritos de Paulo Freire, hooks desenvolveu o conceito de uma "educação como prática da liberdade", reafirmando a sala de aula como um espaço de resistência às opressões e de construção coletiva do conhecimento.[45] Essa perspectiva opõe-se a modelos bancários e hierárquicos de ensino, propondo uma pedagogia crítica baseada na participação ativa dos estudantes, na valorização da experiência vivida e no diálogo como método."

"Articulando o trabalho de Paulo Freire e Thich Naht Hanh, hooks elabora a favor da concepção de uma prática educacional progressiva e holística, ou seja uma pedagogia engajada, com inspiração no budismo engajado. A defesa da pedagogia engajada busca um ambiente educacional em que os estudantes participam ativamente do processo e enfatiza o bem-estar dos estudantes e dos professores. Prática que a autora considera ainda mais desafiante que a pedagogia crítica ou feminista"

#Significado dos termos
  • Melodrama: Exagero dramático ou vitimização. Emicida diz que não há tempo para lamentações excessivas. [1]
  • Grana: Dinheiro, visto como necessidade material básica e urgente para mudar de vida. [1]
  • Hosana em curso: "Hosana" é uma palavra de louvor e pedido de salvação. "Em curso" significa que está acontecendo agora; logo, buscar o sustento e melhorar de vida é um ato sagrado de salvação diária. [1]
  • Capulanas: Tecidos coloridos tradicionais usados por mulheres em Moçambique para carregar os filhos ou em rituais, representando ancestralidade e cultura africana. [1, 2]
  • Catanas: Tipo de facão longo usado em lutas ou no trabalho agrícola, simbolizando a defesa e a resistência. [1, 2]
  • Nirvana: Estado de paz plena, libertação do sofrimento e iluminação espiritual (conceito oriental das filosofias budista e hindu). É o refúgio mental necessário para manter a sanidade. [1, 2]

Imersão na poética periférica de Sergio Vaz!



- novembro 30, 2023




"Enquanto eles capitalizam a realidade, eu socializo meus sonhos."
Sérgio Vaz
Obras disponíveis em nossa Sala de Leitura:




Sérgio Vaz nasceu no dia 26 de junho de 1964, em Ladainha, interior de Minas Gerais. Conhecido como o “Poeta da Periferia”, é atualmente um dos escritores mais reconhecidos da poesia nacional. Ativista político e social, no ano 2000 fundou a Cooperativa Cultural da Periferia (Cooperifa), movimento que transformou um bar da periferia da zona sul de São Paulo em um centro de artes e literatura. Foi escolhido pela revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes de 2009. Por seus feitos, Sérgio Vaz recebeu diversas honrarias, como o “Prêmio Unicef” (2007), “Orilaxé” (2010), “Trip Transformadores” (2011), “Governador de São Paulo” – nas categorias Inclusão Cultural e Destaque Cutural (2011) – e o “Heróis invisíveis” (2011).

Aos 58 anos, o poeta lançou em abril deste ano sua décima obra, Flores da Batalha (Editora Global). Com prefácio do rapper Emicida, o livro reúne uma coletânea de poemas que trata da vivência na periferia após a pandemia de Covid-19. Central em todos os seus escritos, essa é a população que foi a mais afetada não só pela doença, mas também pelas dificuldades de sobrevivência que acabam se sobrepondo às escolhas individuais.
S
Mais sobre o Poeta:
https://pensamentosvadios.lojaintegrada.com.br/
@poetasv


CORAÇÃO DE CRIANÇA NÃO MORRE

"Ontem a criança que fui, triste e abandonada,
depois de muito tempo andou de mãos dadas comigo,
e entre risos e lágrimas me deu um abraço.
Ali de rosto colado
à mercê de lembranças e saudades
(quem sabe a diferença sabe que saudade dói
e a lembrança cabe na fotografia),
ela me disse que estava feliz pelo adulto que sou
e que não havia mais motivo
para chorar pela solidão do passado.
Despediu-se soltando meus braços
feito quem acaba de ensinar alguém a nadar,
ou segurando na mão alguém para não se afogar.
Falou que ia embora, mas ia ficar para sempre
brincando no parquinho do meu coração.
Saiu driblando as nuvens nos campinhos de terra
da memória e antes de sumir olhou para trás e me disse:
- Estou feliz porque você agora é meu amigo, e deixou de querer ser meu pai.
E como quem sorri pela primeira vez vivendo um presente que demorou pra chegar por conta do passado, olhei para o futuro
sabendo que a hora que quiser, posso ser criança outra vez.
Só que feliz." sergio vaz
#floresdedabatalha






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Setembro Amarelo* 

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